domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sociologia: Georg Simmel (1858-1918). Texto: Georg Simmel e as ambiguidades da modernidade.


Georg Simmel

Georg Simmel (Berlim, 1 de Março de 1858 - Estrasburgo, 28 de Setembro de 1918) foi um sociólogo alemão. Professor universitário admirado pelos seus alunos, sempre teve dificuldade em encontrar um lugar no seio da rígida academia do seu tempo.
Ele tinha como idéia central a relação que os imigrantes, emigrantes e migrantes tinham com as novas pessoas, com o os novos costumes, e porque o eles não conseguiam se relacionar bem com as pessoas desse novo local, ou pais.
           Para Simmel o estrangeiro não era o simples viajante, pois o viajante procura apenas visitar o país e depois retornar a sua    nação, já o estrangeiro, é a pessoa que muda de seu país para uma nova vida em outro


Georg Simmel e as ambigüidades da modernidade


João Carlos Tedesco1
jctedesco@upf.br

1 Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Professor do Programa de Mestrado em História na Universidade de Passo Fundo.


Georg Simmel and the ambiguities of modernity



Resumo
O texto analisa alguns aspectos da teoria crítica de Simmel em torno das formas de sociabilidade do moderno, suas repercussões no horizonte cultural e algumas das estratégias dos indivíduos para fazer frente a esse processo.
Palavras-chave: modernidade, cultura, dinheiro.

Abstract
The text analyses some aspects of Simmel’s critical theory on the forms of modern sociability, their repercussions on the cultural horizon and some strategies adopted by individuals to face this process.
Key words: modernity, culture, money.






Introdução
 

Georg Simmel (1858-1918) é um pensador do interdisciplinar, um moderno, um crítico da modernidade; muitos de seus escritos transitam pela filosofia, sociologia, história, psicologia, economia e antropologia. É possível perceber por esses vários caminhos uma teoria da modernidade e uma filosofia crítica da cultura. Por isso, retomar o pensamento de Simmel é mais do que adentrar para o interior de suas complexas teias; é mais do que nunca um esforço contínuo de atualização e de inserção crítica no mundo moderno e de uma concepção de indivíduo e de conhecimento.
O autor reflete, em muitos de seus escritos, sobre a cultura moderna numa perspectiva histórica e crítica, muito baseado no que seu mundo contemporâneo
apresentava; mundo esse espelhado em Berlim com sua modernização, seus modos de vida, berço de um capitalismo em ascensão, com a dinâmica do dinheiro, da tecnologia e da mercantilização dando o tom das relações sociais, dentre uma série de outras questões da esfera política, bélica e estética.
Simmel pensou e analisou fenômenos estruturantes da modernidade como o dinheiro, a vida social, mental e cultural nas grandes cidades, a mercantilização e a fetichização do corpo, do estético, da moda; problematizou a cultura moderna por ser produtora de alienação do indivíduo e redução de seu potencial de individualidade; sua sociologia é a da interação, da intersubjetividade, da relação sujeito e objeto, temas que são ainda emblemáticos e problemáticos em vários campos das ciências sociais e humanas.
Simmel fundamenta uma episteme em torno da idéia de movimento, da relação, da pluralidade, da inesgotabilidade do conhecimento, de seu caráter construtivista, cuja dimensão central realça o fugidio, o fragmento e o imprevisto (termos, talvez, apropriados indevidamente por alguns pós-modernos do campo social). Por isso, seu panteísmo estético, como episteme, no qual se entende que cada ponto, cada fragmento superficial e fugaz é passível de significado estético absoluto, de compreender o sentido total, os traços significativos, do fragmento à totalidade.
Simmel foi um grande observador de seu meio social, e é desse modo que brotam suas análises pertinentes em torno das formas e manifestações da modernidade social e histórica; presenciou e colaborou para uma atmosfera de abertura cultural, um caso de ecletismo na história intelectual na virada do século XVIII para o XIX; sua obra é expressão de um repertório de uma época da cultura européia, uma cultura da crise e da heterogeneidade (Waizbort, 2000).

No presente ensaio, queremos adentrar alguns dos tópicos que o autor abordou tentando mostrar a crítica que o mesmo

faz à modernidade, identificando as ambigüidades e idiossincrasias da mesma, bem como aspectos de sua atualidade.


Um pensador do relacionismo

 Simmel, em suas obras, trata de temas variados e de assuntos anódinos tais como a metáfora da porta e a ponte, a moda, as ruínas, as paisagens, a preguiça, o estilo, o coquetismo, a aventura, a moldura, o feminismo, as cidades, a sociabilidade, o conflito, o segredo, a fidelidade, o estrangeiro, a refeição..., busca descobrir em cada minúsculo detalhe seu sentido global, um horizonte que remete à unidade e interelação entre/das coisas. Desse modo, é um filósofo/sociólogo do relacionismo, da ligação do singular íntimo e imediato a significações espirituais últimas, da dialética do concreto e do abstrato, a qual produz sentido e significados; religa o fugidio ao eterno ao mesmo tempo em que revela a inesgotabilidade e inexpressão descritiva do real (Freund, 1986). A verdade se objetiva no movimento do pensamento (Vozza, 2003). É considerado por alguns analistas como o pensador da crise, de uma ruptura que se abre no meio social de sua época, da época da certeza, do saber moderno e científico, para, ao mesmo tempo, uma época da incerteza, da alienação, da falta de cultura humana (Waizbort, 2000).

Simmel inaugura e fortalece essa característica do pensamento social contemporâneo, ou seja, o trágico produzido pelo intelectualismo e a racionalização. “A obra de Simmel é ainda capaz de nos mostrar como é possível interpretar o mundo renunciandoaos mitos da integração, da totalidade e da legalidade científica” (Frisby, 1992, p. 41). Para Simmel, a sociedade existe a partir de interações, de consciência dessa interação, de uns para com e contra os outros. Desse modo, a consciência da sociedade é que faz dela sociedade (Waizbort, 2000); é um referencial de consciência produzido pelos atores/sujeitos; é um processo de associação que liga e produz interações espirituais entre os indivíduos, interações essas conscientes, que produzem “unidades” que sofrem e influenciam ordens sociais, ligações sociais como fios que se tecem, se enredam, se atraem e se repelem. Para Simmel, tudo está ligado a tudo. Essa sua visão de mundo permite perceber fenômenos e idéias se relacionando, movendo-se, contorcendo para todos os lados, extraindo-se e interiorizando-se, como redes e relações, analogias e afinidades a caminho dos fundamentos espirituais e de seus sentidos mais profundos e simbólicos (Vandenberghe, 2005).


Um sociólogo crítico da modernidade

Simmel foi um sociólogo atento aos movimentos do tempo no cotidiano principalmente das grandes metrópoles, aos elementos que fundamentam a vida moderna, porém sempre em conexão com a História. História e cotidiano em Simmel se imbricam.
A análise do dinheiro é expressiva disso. A modernidade para Simmel é ambivalente, ou seja, produz alienação da mesma forma que viabiliza a liberação do indivíduo, ou melhor, os correlaciona. Não obstante, Simmel manteve sempre um espírito crítico em relação à modernidade (fato esse que o distanciava de muitos estudiosos contemporâneos seus, ao mesmo tempo o aproximava de outros) e a algumas tendências da vida moderna, dentre essas, o empobrecimento da sensibilidade emotiva, o descaso ao passado e a valores tradicionais considerados conquistas da modernidade como a liberdade, o espaço concedido ao experimento e a pesquisa, os quais permitiram maior possibilidade dos indivíduos poderem desenvolver potencializações, preferências, inquietudes, cultivações pessoais (Waizbort, 2000).

Mas ele não era um otimista com relação ao que acontecia no seu tempo. Em vez de otimista, podemos dizer que era um fatalista, não cedia aos apelos da sedução materialista da vida moderna, de sua flexibilidade moral, via os avanços da burguesia
de seu tempo produzindo um custo elevado no espírito humano, acreditava, como pensador aristocrático que era, que poucos e com muito esforço e sacrifício conseguiriam usufruir do desenvolvimento cultural típico da modernidade sem se deixar levar pelas suas tendências irracionais e cunho instrumental e material. É nesse sentido que sabemos que Simmel, em certos aspectos, partilhava a idéia de ameaça que a modernidade produzia, muito presente em alguns críticos alemães. Segundo Cavalli e Perucchi (1984), Simmel a percebia mais como perplexidade do que como aversão. Nesse horizonte da perplexidade, poderíamos dizer que Simmel compreende a multipresença de aspectos que a modernidade produz (D’Anna, 1996).
No mesmo momento em que a modernização/modernidade social desenvolve potencialidades e cultivos humanos que em épocas anteriores não eram fáceis de se apresentar, produz uma economia monetarizada e que expõe a sociedade a um conjunto de processos alienantes. A modernidade permite conhecer melhor e ter a consciência de experienciar seus meios de conhecer; esses são mais permeáveis, menos fechados e seletos e, por isso, provocam alterações, tensões profundas e continuas na estruturação social e de existência (a questão da justaposição e contraposição entre subjetividade e objetividade se coloca nesse
horizonte) (Waizbort, 2000).


Na concepção de conhecimento em Simmel há certo privilegiamento às conquistas modernas que se situam na esfera intelectual, ou seja, as que caminham pelo princípio da relatividade do conhecimento e para a desubstancialização da realidade, quer dizer, a realidade em relação à representação, aos pontos de vista, aos condicionamentos recíprocos das coisas e, não como qualidade abstrata (Boudon, 1989, p. 47).  Em outras palavras, a modernidade expõe os efeitos recíprocos e as interações como forma produtora do real; acelera o ritmo da existência, e essa se corresponde com a capacidade do dinheiro em mobilizar, transferir, simbolizar valores. Essa dinâmica rompe com períodos de inércia, comuns em sociedades mais tradicionais e de pertencimento sócio-cultural, bem como aumenta as relações interindividuais e as diferenciações entre indivíduos, torna as relações mais anônimas e objetivas – “privadas de alma” dirá Simmel. “As relações que o homem tem com o seu ambiente em geral têm um desenvolvimento que progressivamente o distancia
de quem lhe está próximo e o aproxima de que lhe está mais distante” (Simmel, 1984, p. 664).
A incidência do dinheiro sobre a cultura, a mentalidade, o estilo da existência da sociedade moderna, as estratificações são características próprias da modernidade. Por isso que, segundo Simmel, ela se presta à alienação, pois a orientação da economia monetária a um mundo humano secularizado, objetificado
e impersonalizado deixa o indivíduo abandonado, mecanizado, sem deixar nenhum lugar às emoções ou às sensações de que as coisas têm um significado final, ou seja, são hierarquicamente ordenadas (Poggi, 1998, p. 186). Nesse sentido, a modernidade,
alimentada pela economia monetária e vice-versa, produz um mundo unitário, fechado na objetividade entre os elementos que a compõe. É possível compreender a modernidade em Simmel também pelo outro viés, ou seja, aquele da alienação. Essa categoria se aproxima em alguns aspectos da de Marx, porém se diferencia em outros, pois não está na totalidade correlacionada ao sistema de trabalho e de produção capitalista, da esfera da autonomização dos produtos do trabalho; porém, se aproxima
muito quando trata da dimensão subjetiva, das relações de inversão entre sujeito e objeto (mais conhecido como processo de fetichização), da esfera cultural (crescimento subjetivo, mental e emocional), na questão das inversões entre meios e fins (alienação em conexão com o espírito objetivo entendido como desvinculado
e autônomo em relação à participação dos sujeitos).
Em Simmel, alienação possui correlação com cultura. Possuir cultura, para Simmel, significa “uma série prolongada de encontros realizados entre o espírito subjetivo de uma determinada pessoa e um certo número de aspectos do espírito objetivo que circunda tal pessoa” (Poggi, 1998, p. 199). Nesse processo interativo de aquisição cultural, de enriquecimento pessoal de assimilação e subjetivação do objeto, de reconhecimento no objeto e de valorização desse, reside a cultura para Simmel.

Porém, o autor reflete que, na modernidade, essa relação intersubjetiva torna-se difícil pelo fato do objeto s  apoderar do sujeito, dificultando, quando não impedindo, a cultivação desse.
A alienação está também no fato de que por mais que os indivíduos incorporem objetos de consumo e sejam seduzidos por eles não se desenvolve a possibilidade dos mesmos em adquirir e assimilar conhecimento e se familiarizar com eles. A diversidade aliada à mutabilidade dos objetos faz com que os indivíduos não consigam conhecer, pois não possuem significados intrínsecos a eles mesmos a não ser os de sua instrumentalidade, distanciando, com isso, cada vez mais a cultura das pessoas
e a “cultura das coisas” (Simmel, 1979, p. 105). Vimos que, para Simmel, a modernidade intensifica a experiência da alienação que já era, em parte, inerente à condição humana, aspecto inevitável da relação entre espírito objetivo e subjetivo, como um dado antropológico (Poggi, 1998), um acidente da relação indivíduos e objetos, o qual pode se dar também e/ou com grande importância no processo de trabalho, na divisão de classes como dimensão econômica (como o analisado em Marx). Nesse ponto de encontro entre Marx e Simmel brota um outro desencontro o qual se expressa na possibilidade de transformação e de desalienação. Para o primeiro, com o fim do capitalismo, de seus elementos fundantes como a propriedade privada, a divisão de classes, o estado burguês, seria possível acabar com os processos alienantes. Simmel, mesmo sendo um pensador dialético (dizem que a sua dialética “era sem reconciliação final, sem síntese”), não era um revolucionário no sentido de acreditar numa mudança sociocultural radical. Simmel pensa em valores, em sua superação no campo da individualidade, da cultivação, integridade intelectual
e sensibilidade estética, qualidade da existência como fruto de experiências do vivido dos indivíduos, da liberdade aliada ao crescimento da individualidade.
Percebe-se que modernidade é, para Simmel, um modo particular de experiência vivida em relação e interiorização/incorporação. Exterioridade e interioridade passam pelo crivo do fluxo contínuo da fugacidade, fragmentação e contradição de momentos e circunstâncias. A arte de Rodin, nesse sentido, é vista como exemplo dessa natureza fugaz e dinâmica das experiências interiores. Rodin, na percepção de Simmel, incorporou e encarnou a modernidade em suas contradições, em seu (in) e
supratemporal, em seu perspectivismo (em correspondência com modos particulares de observação, pontos de vista, conhecimento sempre fragmentado..., elementos que embasam seu panteísmo estético) (Waizbort, 2000).


O moderno como transtemporal

A “crise da cultura”, a “tragédia da cultura”, a “patologia da cultura”, noções tão comuns nas análises de Simmel, revelam o horizonte da separação cada vez maior da cultura objetiva em relação à subjetiva com a ascensão do progresso da técnica, do
dinheiro e do individualismo, da velocidade e da pressa..., produtos da modernidade.
O debate atual sobre modernidade se entrecruza com o desenvolvimento do campo de discussão sobre a memória. Modernidade e memória tematizam projeção, projeto – vontade de duração no tempo, um caráter ambivalente, de significados partilhados,
de tensões – de “uma contaminação cultural, de uma humanidade sempre mais móvel e interdependente […] de incertezas, fragmentações, precariedades, de tempos breves e incapazes de projeção e de narração de um tempo longo” (Rampazi, 2001, p. 368). Memória e modernidade possuem raízes sociais e culturais comuns; surgem de um mundo em transformação profunda e que provoca redução de valores tradicionais e gera descontinuidades recorrentes, a qual oferece instrumentos técnicos cada vez mais sofisticados na exteriorização da capacidade humana de recordar. A idéia de moderno pressupõe uma idéia de futuro, de transtemporalidade. O que é moderno hoje pode e, talvez deva, tornar-se antigo/obsoleto amanhã. A cultura ocidental moderna pensou a cultura em si como um vir-a-ser, por isso a contraposição das culturas tradicionais e das modernas. Essa dimensão produz implicações para a memória, pois as dimensões temporais se alteram. A tradição se constitui nesse horizonte do velho/novo. Para a memória, a idéia de passado ganha dimensão de presente, no entanto, para a consciência histórica, o passado é passado (Jedlowski, 2001). Simmel continua dizendo que o valor específico da cultivação é inacessível ao sujeito se este não o alcança por meio de realidades espirituais objetivas, as quais constituem valores culturais apenas na medida em que, por seu intermédio, conduzem
a alma por aquele caminho que vai de si mesma para si mesma, do que se pode chamar sua condição natural para sua condição cultural. Benjamin, citando Baudelaire, já dizia que, no capitalismo ocidental, a cidade se transforma mais rapidamente que o
coração de um homem, ou seja, as mudanças são tantas e com um ritmo de velocidade que o indivíduo em meio a isso tudo se sente imóvel e, aquilo que aprendeu a amar, tem a sensação e a objetividade de andar em ruínas, principalmente o mundo em que sua existência se constituiu. Nas palavras pouco animadoras de Benjamin, “o progresso é um anjo que procede no futuro com o olhar atônito voltado para trás a contemplar acúmulos de ruínas” (Benjamin, 1971, p. 84).
É desse horizonte de análise que advêm as noções de tempo perdido, de nostalgia em Benjamin e mesmo em Simmel. Metrópole e monetarização expressariam a concentração, intensificação, difusão e extensão da modernidade; ambas provocariam
um aumento da troca, do consumo, da diferenciação social, incremento da funcionalidade das relações sociais. A experiência torna-se, a partir daí, diferenciada e descontínua (fragmentada). A cultura transforma-se em cultura de coisas e de objetos, produz-se reificada, autonomizada, dissociada e distanciada socialmente. Nesse cenário, os valores pessoais reduzemse a valores monetários, e o estilo de vida torna-se um contraposto de elementos estanques e fragmentários (Jedlowski, 1998).
Nesse sentido cultural, a idéia de experiência se torna problemática com a modernidade. A experiência da modernidade é uma experiência de mudança contínua, de tempo acelerado, de eventos que transcorrem rápido e se sucedem, de ausência
de correspondência de um antes; requer um cenário do imprevisível, do incerto, de eventos, de aceleração da história, da não incorporação do passado como orientação e atribuição de sentido à experiência presente, da perda da mediação dos quadros culturais na constituição da identidade individual; produz uma continuidade fundada na capacidade pessoal, da autonomização, na impossibilidade de sedimentar uma experiência maturada (Simmel, 1995). A modernidade exige um homem cuja memória foi educada a não lembrar senão por breve tempo até que outra “coisa” mais importante se imponha à sua atenção e roube a recordação precedente; é o intensificar da vida nervosa como resposta aos estímulos nervosos e contraditórios (Idem). É na cidade, na grande cidade, que esse processo é mais evidente. As cidades modernas são feias, a metrópole é “sem caráter”, diz Simmel, assim como
é o dinheiro; ambos se retroalimentam, ou melhor, o que dá concretude à cidade é a sua correlação com o dinheiro.


A singularidade extremada: a aventura, o estrangeiro e a distinção.
 Ambas as temáticas indicadas no subtítulo expressam experiências de vida no mundo urbano moderno das grandes cidades; manifestam o olhar sensível e fino de Simmel ao mundo em movimento, as reações dos indivíduos, sua resignação e contraposição, sua liberdade e as formas cativas de sociação, sua evolução e suas rupturas.
Segundo Simmel, a solidariedade que unia o indivíduo à sociedade e ao seu grupo de pertencimento na sociedade tradicional, com a economia monetária e o desenvolvimento da técnica, principalmente nas metrópoles modernas, rompeu-se, porém produziu, de um lado, liberdade pessoal (deslocando-se pela dimensão do blasé), por outro, a dependência aumenta e se alimenta reciprocamente com o distanciamento da subjetividade (Souza e Oelze, 1998). Da idéia de aventureiro nasce, na grande metrópole, a figura do blasé. Esse não é um ser irracional, mas revelador de irracionalidades, porém, sua racionalidade o faz tornar-se, como medida de autoconservação, indiferente ao dinheiro e reservado face aos objetos, sensível ao valor qualitativo das coisas (Deroche-Gurcel, 1997). “Ele é o primeiro a aceitar a medida das coisas, porém se defende de se decepcionar ao se proibir de as apreciar em razão de opções deliberadamente subjetivas e excluídas de seu valor econômico” (Deroche-Gurcel, 1997, p. 223).
No fundo, o aventureiro não é um alheio à existência social; ele é a manifestação máxima de sua inserção, pois busca romper com a monotonia da existência coisificada e da indiferença; adentra para o fugaz e o fortuito;3 expressa o viver em tensão em meio às fragmentadas e diversas circunstâncias da existência cotidiana, porém persegue o deslocamento e autonomia dessa como é o caso da obra de arte. “O aventureiro é também o exemplo mais bem expresso de uma pessoa aistórica, da essência contemporânea. Por um lado, não está determinado por nenhum passado [...], por outro, o futuro não existe para ele” (Frisby, 1992, p. 131). O aventureiro estranha-se, mas, ao mesmo tempo, pela sua excentricidade, expressa um sentimento trágico da vida, uma capacidade ainda que fragmentária, passageira, rápida e presentista de sentir, de significar, de dar conteúdo à vida. Nesse sentido,
pode ser compreendido como um gesto de conquista, de se elevar no momento propício, do abandono em relação ao imponderável e à coerência, à variabilidade da ocasião. 3 A figura do blasé não é muito diferente da flanerie analisada por Benjamin. O flâneur é a expressão da idéia de distinção, de recusa de perder sua subjetividade no universo da multidão urbana moderna, figura essa associada ao ritmo da cidade grande, sua tendência à impessoalidade; expressa ociosidade, contemplação, o caráter do transeunte, um caráter psicológico de reserva da experiência, da subjetividade... (Benjamin, 1989).
Na idéia de aventureiro podemos inferir que esteja presente a noção de mobilidade espacial, de ruptura com a comunidade de origem, dificuldade de assimilação, produção de relações sociais orientadas pela indiferença ou ao conflito. O aventureiro representa a construção simbólica do inimigo, da segregação, do homem marginal que não pertence a nenhum mundo, nem ao velho que abandonou e nem ao novo que adotou (Cotesta, 2002). Estratégias de inclusão convivem com estratégias
fundadas na indiferença e hostilidade. Simmel vincula o aventureiro ao artista e à inclinação do artista para a aventura, pois a obra de arte extrai fragmentos de séries intermináveis e contínuas da evidência ou da vivência (Simmel, 1988). Diz Simmel que, na aventura, mantemos uma relação inorgânica com o mundo; a mesma torna-se uma encruzilhada entre o momento de segurança e o momento de insegurança da vida. O aventureiro trata o incalculável da vida de maneira idêntica a como nos comportamos com o totalmente calculável. É alguém em que o improvável é o provável, o provável será facilmente improvável. “O aventureiro confia em sua própria força, em sua sorte e, na realidade, numa combinação indiferenciada de ambas.”
(Simmel, 1988, p. 17 e 18).


 A monetarização, a intelectualização, o moderno estilo de vida, as imagens que correm sem parar, a massificação, o anonimato, a racionalização e a interação funcional (espaço da subjetividade limitada, calculabilidade e contabilidade, exatidão), a pontualidade e a impessoalidade dão corpo a essa correlação; produzem individualizações, o diferente e a indiferença. “Em meio à multidão na cidade grande cresce a distância da unidade social em relação aos elementos que a formam, e o indivíduo se esconde por detrás do grupo” (Waizbort, 2000, p. 324). Logo no início do texto “A metrópole e a vida mental”, Simmel já expõe a preocupação de como a personalidade humana se acomoda frente às forças exteriores, essas forças niveladoras de caráter massivo que constituem o estilo de vida moderno e que as grandes cidades cristalizam. “Os problemas mais graves da vida moderna derivam da reivindicação que faz o indivíduo de preservar a autonomia e a individualidade de sua existência em face das esmagadoras forças sociais da herança histórica da cultura
externa e da técnica da vida” (Simmel, 1967). Na cidade, tudo, ou quase tudo, é mercantilizável; a troca encontra aí sua máxima expressão; quantificam-se as relações e manifestam-se interesses e intencionalidades pouco claras, pois a esfera do negócio, do contrato, mesmo que incorpore racionalidades funcionais ao jogo econômico, mantém segredos, e impessoalidades a constituem. Porém, é possível perceber na reflexão sobre a cidade em Simmel um lado ambíguo e contraditório.
A análise sobre a fatalidade do intelectualismo, a ambigüidade desse frente ao seu conteúdo na metrópole, ao mesmo tempo que revela a intensificação da passagem da substância à função, incorpora uma maior conquista da liberdade, da emancipação
frente a conteúdos tradicionais de vida. Simmel é contundente e utiliza palavras fortes como “esmagadoras forças sociais” para dar ênfase à tendência niveladora, à predominância da dimensão objetiva sobre a subjetiva, à dominação do intelecto e da cidade pela economia monetária, à intensificação da intelectualização pela técnica e divisão do trabalho, à figura do labirinto como representativa das redes de associações, das intersecções de círculos sociais que constituem não só a cidade (nessa por excelência), mas toda a sociedade, à reciprocidade, fugacidade, e fluxo perpétuo dos fenômenos e das diversas formas de relações sociais, ao dinamismo em movimento, ao mesmo tempo à perenidade e permanência do dinheiro (Henriques e Earp, 1994).

A crítica da cultura na Filosofia do dinheiro

 Em 1890, após algumas pinceladas esparsas de 10 anos antes, escreveu uma obra primorosa, um patrimônio analítico do mundo moderno, de expressão de sua teoria da modernidade, de análise da sociedade e da história contemporânea, que foi intitulada
de Filosofia do dinheiro. Obra traduzida e comentada em várias línguas. É uma densa análise de diagnóstico de época, centrada na economia monetária desenvolvida em suas conseqüências e ambigüidades sobre e no social e individual.2 O debate em torno do dinheiro cristaliza uma grande discussãopresente na Alemanha no contexto de vida de Simmel. Marx, Hegel, Nietzsche, Weber, Baudelaire..., ambos desenvolveram grandes discussões sobre cultura e civilização, sobre o campo material e o campo espiritual (cultura), sobre racionalização, politeísmo de valores, desencantamento do mundo e o irracionalismo provocado pela exacerbação do racionalismo e mercantilização.
Todos esses aspectos revelam âmbitos da ambigüidade do desenvolvimento da modernidade. A Filosofia do dinheiro compreende todo esse processo e vai além. Autores dizem que Simmel não intencionava polemizar com Marx, mas, sim, inserir dimensões metafísicas, psicológicas e culturais no âmbito da análise e que no materialismo histórico não se apresentavam; é uma filosofia da cultura em seu sentido geral dos sistemas simbólicos prevalecentes na sociedade. Ou seja, o dinheiro como
indicador de realizações espirituais da época moderna. Por isso, o dinheiro é uma metáfora, um sistema simbólico que representa e ao mesmo tempo governa a cultura moderna e as suas realizações específicas, a racionalidade na economia e na vida
(Dal Lago, 1994). Para Simmel, a economia monetária é uma metáfora de um processo universal que dilui os conteúdos objetivos e subjetivos da vida. Simmel analisa as idiossincrasias e ambigüidades que caracterizam e foram, em grande parte, produzidas e dinamizadas pelo dinheiro no mundo moderno, principalmente àquelas sobre a cultura subjetiva. O autor trabalha com o que tem de mais cotidiano, mais móvel, mais integrador e desintegrador, mais útil e atrativo na sociedade de capitalismo avançado que é o dinheiro (Waizbort, 2000). Simmel analisa, na Philosophie..., o que o dinheiro, na economia monetária desenvolvida, provocou nos pensamentos, sentimentos e intenções dos indivíduos, nas formas de socialização, nas instituições e na vida cultural dos indivíduos e da sociedade em geral; faz uma sociologia da sociabilidade cotidiana. É por isso que, na Philosophie..., o autor analisa o dinheiro não apenas como entidade empírica, mas, em seu sentido mais profundo e complexo, como símbolo das formas essenciais das ações no mundo, como interação, para “expor as precondições que, situadas nos estados mentais, nas relações sociais e na estrutura lógica da realidade e dos valores, outorgam ao dinheiro seu significado e sua posição prática” (Simmel, 1987, p. 23). O dinheiro envolve, principalmente, intercâmbio e interação; são duas instâncias dinâmicas e de funções originais da vida excelência do caráter dinâmico do mundo, veículo de um movimento no qual tudo o que se move se extingue por completo. O dinheiro adquire caráter de interesse independente, mais além de seu papel de simples intermediário, indiferente a suas qualidades específicas, indiferente às qualidades e diferenciações pessoais; substitui dependências pessoais por outras impessoais; facilita a diferenciação da propriedade e da pessoa não vista em momento histórico nenhum antes, produz maior atomização da pessoa individual (Waizbort, 2000).

2 Na presente análise, revisamos a tradução francesa (Philosophie de l’argent) e a italiana (Filosofia del denaro). Ver na bibliografia final a referência completa de ambas. 
É nessa ambigüidade e ambivalência do dinheiro que o autor mostra como o mesmo realiza uma dialética entre meios e fins, um aumento da diferenciação seguida de uma tendência à homogeneização social, indiferença e intercâmbios; auxilia na compreensão de como o dinheiro aumenta a rede e a cadeia teleológica das ações mediadas por objetos, objetivos; mostra como o dinheiro adquire interesses e intenções independentes, mais além de seu papel de mediador de coisas e da lógica econômica; permite-nos ver como a economia monetária ao criar mais dependência
entre indivíduo e funções, produz também mais independência e liberdade individuais, maior possibilidade de apropriação privada de terras e de capital (ibid.).

Nesse sentido, o dinheiro exerce um papel de metáfora de uma relativização da experiência na modernidade, um desenvolvimento metafísico cujos efeitos se projetam em cada âmbito da cultura, da sociedade e da experiência, ou melhor, de um processo
universal de dissolução dos conteúdos da vida (Dal Lago, 1983, p. 110). Desse modo, o dinheiro se funda em aspectos metafísicos e histórico-culturais, reflete uma posição ambivalente frente a suas manifestações (Simmel, 1984, p. 219 e 221). O dinheiro adquireuma possibilidade de unir os contrários; assume características de universalidade e, portanto, de emancipação dos conflitos da contingência, incorporação do processo vital e espiritual, representação do tecido da realidade.

O autor da Philosophie... mostra, através de reconstruções históricas, como na esfera individual e social, o dinheiro e sua difusão comporta processo de liberação de vínculos pessoais da sociedade pré-moderna, universaliza e, em princípio, democratiza o acesso, mas produz a desigualdade social (diversidade de acesso ao mercado), rompe certos estilos de vida tradicional, estáveis e consolidados. É nesse sentido que o dinheiro é visto como instituição, o qual evidencia intercambialidade, bem como propriedade geral da experiência em reciprocidade e dependência; tem a capacidade de imaginar, transferir e medir valores; é um fenômeno simbólico que convive com outros símbolos (Poggi, 1998). Sua institucionalização acontece e se consolida pela sua natureza instrumental de troca, capacidade geral de uso, impessoalidade, ou seja, transcende as pessoas no momento considerado; se expande e se desenvolve no coletivo e para a coletividade; “é um reinvio das ações dos outros” (Simmel, 1984, p. 463); ao mesmo tempo, permite à pessoa crescer, desenvolver-se e distanciar-se do dinheiro. O dinheiro também possui uma dimensão moral que se expressa em sua estabilidade, ou seja, que permita conservar seu valor no tempo, o valor dos outros objetos. A confiança generalizada, seu progresso na sociedade, deve ser acompanhada de um processo democrático ao mesmo tempo de um estado com certa centralização burocrática e um sistema jurídico que garanta liberdades e permita a quem queira monetizar-se assim o fazer.

Simmel desenvolve uma teoria, de certa forma, psicologizante do valor, que se exprime na troca, na circulação, no consumo, ou seja, num horizonte de relações que se entrelaçam com pressupostos psicológicos, metafísicos, expressos nas formas variadas de manifestação do consumidor, na grande tendência da diversificação, na “objetividade” econômica, na divisão do trabalho e sua tendente especialização, na velocidade e mobilidade do dinheiro no tempo e no espaço, na urbanização, etc. Esses processos todos vão constituindo e identificando um horizonte cultural e social monetarizado, um espírito do tempo, próprio da modernidade avançada, madura (Waizbort, 2000).
Essa concretude do dinheiro no meio social da economia monetária avançada se expressa nas exigências de cálculo, de exatidão, precisão, rigor, em outras palavras, crescente intelectualização da experiência; “isso é uma tendência a orientar a ação em base e em expectativas de conhecimento em vez de normativas” (Simmel, 1984, p. 463); exprime preferências e possibilidades, “realiza as possibilidades de todos os valores, como também os valores de todas as possibilidades” (idem, p. 281).
O domínio e a centralidade do dinheiro precisam ser vistos em Simmel como correlacionados e em mútua interdependência com/no processo da modernidade. O dinheiro cria as condições para dinamizar características próprias da modernidade como é o caso da velocidade, mobilidade, labilidade, racionalismo, calculabilidade..., sobrepostas às dimensões de afeto e de emoções. Por isso que o dinheiro tem, em Simmel, sua expressão dinâmica e crítica, de sociabilidade estrutural e cotidiana, mais
pura em termos de utilidade/valoração e mais produzida historicamente (modernidade que se funda no sistema econômico capitalista), maior diferenciação e maior igualdade (o dinheiro exprime seu mais puro valor quanto mais variadas e diferenciadas as coisas que iguala), maior mobilidade e maior fixidez, ou seja, o mesmo circula sem cessar, ao mesmo tempo em que faz tudo, homens e coisas circularem “ao redor” dele (Waizbort, 2000).
A sedução da igualdade e da diferença.

 Podemos entender a moda como expressão desse espírito, como fenômeno exemplar dessa dualidade, da satisfação pela imitação e pelo princípio da distinção e da diferenciação individual; um universo teleológico que, no fundo, orienta sua atividade na direção do novo, mas que, enquanto protege a individualidade, nivela (Vozza, 2003). A moda, analisada por Simmel em vários de seus textos, mas principalmente na Philosophie..., demonstra o processo de interrupção da apropriação e enraizamento entre o sujeito e o objeto; ambos unificam a sedução da diferença e da mudança com a sedução da igualdade e da união, expressão de uma classe, especifica uma camada social (unifica e diferencia), ou seja, uma espécie de movimento autônomo que faz a sua “viagem” e a sua apresentação social independente dos indivíduos (Simmel, 1987, p. 590-591).
A moda em Simmel expressa particularidade e universalidade, tendência psicológica à imitação e à distinção, associação entre dimensões aristocráticas de tornar-se distinto e a democracia da imitação, da horizontalidade. Desse modo, a mesma carrega consigo diferenciações de classe, de honra, de distinção, de realização de afinidades, de analogias (movimento/cristalização de tempos e de percepções constantes e transitórias, por isso seu espaço por excelência ser na cidade...), de aceleração (rápidas mudanças e mudanças rápidas), de vaidade, de autonomia e dependência (Simmel fala que indivíduos privados de autonomia e de reconhecimento tendem a ser mais susceptíveis à moda), por isso essa seria também uma expressão de contraposição à dependência exterior na busca de salvaguarda da liberdade interior (Waizbort, 2000).
A moda representa o movimento do tempo social no moderno. Ou seja, é a grande tendência à homogeneização da/na metrópole que produz a exigência da distinção; porém essa luta entre homogeneização e individuação, promove, como resultado, a exclusão do indivíduo. A moda tem um sentido que é incessante modificação de estilos preexistentes, “novidade enquanto tal e superação (essência do moderno), movimento vertical entre classes. As classes inferiores imitam os conteúdos da moda ditada pelas classes superiores, as quais modificam a moda quando os estratos inferiores dela se apropriam.” (Dal Lago, 1994, p. 119).

A moda é, acima de tudo, imitação, por isso que precisa carregar consigo a distinção, ou seja, sua anulação; ela conduz o indivíduo às trilhas que todos seguem; “ela satisfaz, por outro lado, a necessidade da diferença, a tendência à diferenciação, à mudança, à distinção, e, na verdade, tanto no sentido da mudança de seu conteúdo, o qual confere um caráter peculiar à moda de hoje em contraposição à de ontem e à de
amanhã, quanto no sentido de que modas são sempre modas de classe” (Simmel, 1985, p. 125). Imitação, nesse sentido, poderia ser caracterizada como uma herança psicológica, como a extensão da vida do grupo à vida individual, envolve sedução,
nada de criatividade pessoal do sujeito que imita, propicia a segurança de não estar sozinho em sua atuação ao apoiar- se nas execuções anteriores da mesma atividade como um firme suporte (Waizbort, 2000).
A moda envolve variabilidade, novidade, distinção em relação ao estado de coisas existentes em vigor, necessidade e possibilidade de distinção, de vincular-se aos outros; é um vir-a-ser. “Tão logo ela seja dominante, ou seja, tão logo aquilo que apenas alguns poucos praticavam passe a ser praticado por todos sem exceção, como elementos do vestuário ou das formas de contato social, não se pode mais falar em moda.” (Simmel, 1998, p. 29). Na dialetização social da moda, o momento da consciência social e individual sobre a mesma é também o germe de sua morte, do
inevitável destino de sua substituição (caráter transitório, o qual não desqualifica a moda, e, sim, produz novos atrativos).

A atrofia da experiência.

As análises sobre modernidade colocam em evidência as diferenças nas condições de vida do homem contemporâneo em relação a contextos sociais e históricos anteriores. O crescimento da cultura objetiva caminha em correlação com o atrofiamento do saber individual, com sua fragmentação e especialização. Desse modo, a identidade individual se torna frágil, havendo sempre mais necessidade de uma reconstrução de uma biografia pessoal através de retomada do passado. Não podemos esquecer que a ênfase no presente como traço distintivo da modernidade em Simmel, é expressa pela particular sensibilidade para aquilo que é transitório, fugaz, efêmero, volátil, descontínuo. Por isso que a emergência da aventura se caracteriza pelo rompimento do resto da vida e de sua continuidade. Cada fato aparece independente daquele que o precede, não se sedimentam eventos. Na sua totalidade, a experiência moderna tende a colocar-se como ininterrupta sucessão de “aventuras”, de eventos destacados uns dos outros, privados de continuidades necessárias com aquilo que os precede e que os segue (Jedlowski, 2001).

A dissonância da cultura moderna é causada, em grande parte, do fato de que as coisas tornam-se sempre mais “cultas”, enquanto os homens estão sempre menos capazes de ganhar dessa perfeição das coisas uma perfeição da sua vida subjetiva (Waizbort, 2000). Simmel indica que a intelectualização da experiência corresponde a uma necessidade da vida contemporânea (Simmel, 1985, p. 16).
Poderíamos dizer que a figura do blasé representa uma iniciativa destinada à confrontar a “normalidade” das relações do indivíduo e da sociedade (Deroche-Gurcel, 1997). “Dar a todas as coisas sua medida, sem se deixar medir nelas” (Simmel, 1987, p. 661). É nesse sentido que Simmel indica uma profunda relação entre o desapego e a objetividade. A aventura escapa ao rigor do cálculo, é expressão de aversão à medida, eleição do imponderável e do acaso sem que isso se torne uma doença,
como é o caso da melancolia. O acaso é o princípio e sua constituição.
O imponderável é o elemento central da análise da coqueterie em Simmel, um jogo cativante visando obter a possibilidade de poderosas imprevisibilidades. “Todo o amor recíproco é um presente que não pode ser ‘merecido’ [...] porque o amor escapa a toda exigência e toda a equalização e entre, por princípio, numa categoria outra que aquela do cálculo recíproco.” (Simmel, 1988, p. 317). Já vimos bastante sobre a questão da aventura, porém não podemos deixar de ligá-la a de estrangeiro presente nas reflexões de Simmel; ambas possuem a metrópole como seu cenário de ação, de situação e de sociação. O estrangeiro está envolto na dimensão da incerteza, da ambigüidade; o mesmo faz redefinir e reorganizar seus elementos cognitivos e os da sociedade que o hospeda. As categorizações são práticas intrínsecas aos grupos sociais, desse modo, o estrangeiro serve de referencia à identidade dos grupos para definir elementos negativos do outro.
No entanto, Simmel advoga uma cultura que eduque, que cultive a alma, que seja movimento sintetizador do espírito objetivo e do subjetivo, aperfeiçoando indivíduos. No entanto, como analista fino e sensível, Simmel percebe a grande tendência atrofiadora que o triunfo da cultura objetiva sobre a subjetiva promove.
Viu que a ciência e a técnica avançaram, cultivaram-se, mas que a cultura dos indivíduos não se deu na mesma proporção, ou melhor, caminhou para trás em muitos aspectos (Cohn, 1998).
Para Simmel, a alienação e o fetichismo representam manifestação de uma forma de expressão da tragédia universal da cultura. O autor define a singularidade da figura do estrangeiro em seu espaço psíquico, no campo social e simbólico, como expressão de unidade de duas diferenças e/ou contrários; ao mesmo tempo que está à margem, a figura social em questão sente e se instala na sociedade de acolhida. Repulsão, integração, proximidade, distância, participante, o outro, em sua singularidade, representa um outro..., essa é a dinâmica da vida do estrangeiro num espaço em transformação das dinâmicas sociais, econômicas e culturais que, por sua vez, produzem novas integrações, profundas substituições e exclusões e/ou integrações marginais (Waizbort, 2000).

Simmel deixa claro que o estrangeiro vive na fronteira entre o antigo e o novo; nessa fronteira, solidariedades, integrações, raízes, direitos, vínculos comunitários são substituídos, alterados, redefinidos. Desse modo, o estrangeiro não possui uma dimensão de fronteira física (países, culturas nacionais...), e, sim, simbólico-social. Essa dimensão da fronteira, segundo Simmel, não o exclui da dimensão mercantil do capitalismo, pois o insere no horizonte do consumo do exótico, auxilia na obtenção da mais-valia para o capital na medida em que também é um ator de comércio e consumo de produtos, expande a economia monetária e faz circular o dinheiro, bem como particularizar formas específicas de circulação de produtos em correspondência com a intenção constitutiva da presença do dinheiro, que é favorecer a emergência do individualismo moderno (Frisby, 1992).
         Para Simmel, o estrangeiro é expressão e produtor da crise da cultura na modernidade. O espírito calculista, a substituição de valores em direção à dimensão quantitativa, ao cálculo, à intelectualização, à precisão e ao reino do dinheiro, favoreceram o surgimento e a expressão diferenciada do sentido da vida e seu modo de expressão.
Enfim... um crítico atualíssimo.

Temos a convicção de que Simmel é um pensador atualíssimo; seus temas centrais e sua forma de interpretar a realidade servem de fonte para muitas análises de fenômenos contemporâneos e das sociedades complexas. Sabemos que sua trajetória pessoal, em termos acadêmicos, por uma série de fatores em contraposição, não foi das mais brilhantes se compararmos com alguns dos clássicos das ciências sociais; que vários de seus discípulos e adeptos mudaram de posição frente a uma nova conjuntura sociopolítica e também que coagia o meio acadêmico; que muitos de seus escritos se perderam ou foram destruídos também pela conjuntura política; que sua episteme perspectivista e relacionista num mundo que se redesenhava por guerras e por pactos sociais e políticos não penetrava tão facilmente; que, nas primeiras décadas do século XX, autores de correntes do status quo ou de concepções políticas definidas em contraposição ao capitalismo ocuparam espaços, sejam elas do marxismo e de sua tradição, como da tradição estruturalista, positivista, fenomenológica, existenci (interacionismo, etnometodologia, da escolha racional e do individualismo 4 metodológico e da pós-modernidade), as quais Simmel não estava, ou pretendia, ou pensava ser possível estar filiado a alguma delas.
Entendemos que Simmel, em sua episteme fundada em seu panteísmo estético, esforça-se em perceber e perseguir a totalidade, o invariável, o essencial nos fenômenos aparentemente mais casuais e superficiais da vida cotidiana; centraliza esses processos no horizonte das formas de associação moderna, ou seja, nas redes de relações sociais recíprocas e, desse modo, trabalha com noções de intenções, finalidades, desejos, tendências, interesses que se expressam nos indivíduos (Waizbort, 2000). Por isso que o desenvolvimento da economia monetária não se expressaria apenas na produção desmesurada de mercadorias, mas, também, na constituição de relações sociais, até as mais íntimas e sensíveis. Nesse sentido, o dinheiro que a alimenta e se reproduz mais perfeitamente nas grandes cidades, exige o aumento e eficiência do/no cálculo, no conhecimento aplicado, na indiferença e necessidade entre indivíduos (Dodd, 1997). A economia monetária moderna seria uma expressão totalizante na vida social e se manifesta nas formas mais cotidianas de sociabilidade.

Desse modo, encontramos em Simmel não apenas uma preocupação explícita entre sujeito e objeto, mas entre sujeito sujeito, as relações entre os homens em meio às relações entre objetos de troca. Por isso, entendemos ser sua análise fundada em premissas ontológicas, éticas e epistemológicas. A cidade, a grande cidade, é seu ponto de apoio na visualização dos fenômenos modernos. Um elemento, entre muitos que o mesmo analisou, condensa o dinamismo e a força transformadora e inovadora do mundo, de seus meios, de seus produtos e de suas tendências, é a exposição, principalmente aquela com características universais que no período já  se faziam acontecer. As mesmas socializam espaços, usos, tendências e culturas objetivas, reúnem o máximo de quantidade de mercadorias, expressão da quantidade da especialização e da divisão do trabalho, das trocas de emoções, de diferenciações,
de desejos, de simulação e diversão de vontade de consumo (olhar e não comprar), da presença do fugidio (substituição), do transitório que transmite a ilusão da atração e do permanente, da diversão do olhar, da excitação, da diversidade, da incapacidade da memória em não guardar tudo pela variabilidade, pela condensação, pela vitrine das coisas. Além de seu lado estético, as exposições demonstram a capacidade
inventiva dos sujeitos, a realização das especializações, o mundo que o dinheiro e o consumo globaliza (Frisby, 1992, p. 175.).

Na análise da modernidade, em termos de diagnóstico, Simmel está em correspondência com Weber e Marx (mercantilização, tecnificação, racionalização, objetividade, instrumentalidade, impessoalidade, neutralidade afetiva, conflito entre
deuses, burocratização, etc), porém, em vez de se resignar ou entender como sendo o fim da liberdade individual ou da necessidade de abolir por completo as estruturas materiais que a geram, o autor localiza a liberdade como possível, ou seja, o sentimento e o desejo de liberdade, bem como a possibilidade de romper com os condicionantes psicológicos que produzem relações objetivas de dominação. Sem dúvida, Simmel reconhece que o indivíduo moderno vive em estado de labilidade,
melancolia, fragilidade, esquecimento de si, vida submissa ao cálculo, despersonalização, desenraizamento, principalmente o das grandes metrópoles.
Segundo Levine (2001), os escritos de Simmel sobre filosofia de vida, quase no final de sua vida, dimensionam não tanto a tragédia da cultura, mas a ambivalência do sujeito frente à cultura, ou melhor, o conflito da cultura. Entende Simmel que, ainda que as formas culturais na sociedade mercantil avançada tornem difícil ao homem exprimir criatividade, o mesmo não consegue viver sem elas. A comodidade, as construções simbólicas, os sistemas de informação, as novas normas legais, a liberação da sexualidade, dentre outras, são manifestações de uma espécie de outro lado da modernidade.
Não obstante, essa percepção sensível de um maior avanço da cultura subjetiva não foi suficiente para alterar o “nó duro” de sua análise em torno da crítica da dimensão de massa dos bens culturais, os quais deixam os homens deprimidos
por não poder assimilá-los todos no mesmo momento em que não podem excluí-los, pela fragmentação da existência em razão da separação crescente das esferas objetivadas da vida e a erosão da cultura pessoal em correspondência com o avanço dos multivariados objetos que ganham e exigem conotação cultural.

Simmel é, sem dúvida, o analista, como diz Cohn (1998), dos tons mais finos das relações sociais, finos, mas firmes, naqueles do jogo, das aproximações e afastamentos, na distinção, nas formas variadas e significativas, dos vínculos sociais  pouco duradouros, principalmente os “tocados” pela mão dodinheiro. “Simmel persegue incansavelmente as mil formas que assume a aproximação sempre assintótica da totalidade, seja no conjunto social, seja nos seus componentes singulares” (Cohn, 1998, p. 54). Esse tom fino nas análises não o impede de colocar em evidência o campo de forças no qual se estabelecem as relações entre os sujeitos e os objetos. Ao enfrentar o moderno por meio de uma cultura filosófica onde ele enfrenta novos objetos permitindo a revitalização da filosofia tradicional por meio da reflexão dos procedimentos; busca objetos concretos como o dinheiro, a cidade grande, a moda... para enfrentar o moderno. Insistindo no caráter construtivista do conhecimento, Simmel postula ser a verdade construção e não apenas simples adequação (Vandenberghe, 2005). Não temos dúvida em considerar a Philosophie... a obra central do pensamento simmeliano e de análise crítica da modernidade, sendo, inclusive, comparada por alguns analistas sociais às abordagens econômicas de Marx, à questão da divisão do trabalho em Durkheim e à racionalização e intelectualização em Weber. Muitos dos temas tratados por estes autores, tendo como pano de fundo o desenvolvimento do capitalismo na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, já foram, de um modo geral, esboçados por Simmel na referida obra e em outros de seus escritos.
                   
Ainda que suas análises contenham a erudição de um moderno, crítico da modernidade, a dimensão das formas de sociabilidade cotidianas (formas de sociação, para alguns), fundadas em especificidades micro, foi seu centro de análise e reflexão crítica, porém, é bom salientar que ambas as esferas, em Simmel, não se esgotam em si mesmas, se correlacionam, sem se sintetizar. Enfim, ainda que ampla e complexa, acreditamos que análise de Simmel seja extremamente contemporânea. O dinheiro, por exemplo, hoje não mudou de performance consideravelmente; se houve alteração foi no sentido de aprofundar os pressupostos da cultura objetiva. O mesmo ganhou, acrescidamente, uma dimensão de invisibilidade (fala-se em virtualidade, derivativos, desmaterialização...). Segundo Kintzele (1993), o mesmo realiza sua vocação profunda, desvincula se de sua base espacial e temporal, torna-se o meio, por excelência sob a forma a mais abstrata e enigmática possível.

Sua desmaterialização estaria sendo acompanhada por uma dessacralização, globalização financeira, redefinindo, talvez, o imaginário do dinheiro. A tendência à desmaterialização do dinheiro não significa que sua onipresença na sociedade não seja mais manifesta. Ele altera sua forma (no sentido que Simmel dá a essa categoria); suas inter-relações se processam, também, via organismos supranacionais, com dinâmicas próprias, com lugares fora dos lugares, ou sem lugares.

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 4.  Para Simmel, a intelectualização possui uma dupla função: ao mesmo tempo que dá condições ao homem moderno a se adaptar às transformações, proteger-se e criar consciência de, favorece também o desenvolvimento da abstração no intercâmbio mercantil, relação essa baseada no cálculo, na impessoalidade, na promoção da lógica do dinheiro



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