quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Introdução à Sociologia

SOCIOLOGIA: A ciência que estuda o homem em grupo  sua cooperação e conflitos.


            A sociologia constitui um projeto intelectual tenso e  contraditorio.  Para alguns ela representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, para outros ela é a expressão teórica dos movimentos revolucionários.
A sua posição é notavelmente contraditória. De um lado foi proscrita de inúmeros centros de ensino. Foi fustigada, em passado recente, nas universidades brasileiras, congelada pelos governos militares argentino, chileno e outros do gênero. Em 1968, os coronéis gregos acusavam-na de ser disfarce do marxismo e teoria da revolução. Enquanto isso, os estudantes de Paris escreviam nos muros da , Sorbone que "não teriamos mais problemas quando o último sociólogo fosse estrangulado com as tripas do último burocrata”.

Como compreender as avaliações tão diferentes dirigidas com relação a essa ciência?  


Para esclarecer esta questão, torna-se necessário conhecer, ainda que da forma bastante geral e com algumas omissões, um pouco de historia. Isto ma leva a situar a sociologia - este conjunto de conceitos, de Técnicas e de métodos de investigação produzidos para explicar a vida social no contexto histórico que possibilitou o seu surgimento, formação e desenvolvimento.
           Este texto parte do princípio que a sociologia é o resultado de uma tentativa de compreensão de situações sociais radicalmente novas, criadas pela então nascente sociedade capitalista. A trajetória desta ciência tem sido uma constante tentativa de dialogar com a civilização capitalista, em suas diferentes fases.
Na verdade, a sociologia, desde o seu início, sempre foi algo mais  do que uma mera tentativa de reflexão sobre a sociedade moderna. Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, um forte desejo de interferir no rumo desta civilização. Se o pensamento cientifico sempre guarda uma correspondência com a vida social, na sociologia esta influência é particularmente marcante Os interesses econômicos e políticos dos grupos e das classes sociais, que na sociedade capitalista apresentam-se de forma divergente, influenciam profundamente a base do pensamento sociólogo.
Procuro apresentar, em termos de debate, a dimensão política da sociologia, a natureza e as consequências de seu envolvimento nos embates entre os grupos e as classes sociais e refletir em que medida os conceitos e as teorias produzidas pelos sociólogos contribuem para manter ou alterar as relações de poder existentes na sociedade.

O ESTUDO DA SOCIEDADE HUMANA
1.    De que se ocupam as Ciências Sociais?

Observando a sociedade, percebemos que as pessoas caminham, correm, dormem, respiram. Mas elas também cooperam umas com as outras no Trabalho, recebem salário, descontam cheques, fazem reuniões para melhorar a produção, entram em greve, casam-se, estudam, divertem-se. Como vemos, as pessoas apresentam os mais variados comportamentos.
 Alguns desses comportamentos - como andar, respirar, dormir - são comportamentos estritamente individuais, que se originam no individuo enquanto organismo biológico. Esses tipos de comportamento são estudados pelas Ciências Fisicas e Biológicas. Por outro lado, receber salário, fazer greve, casar-se, são comportamentos sociais, pois só existem porque existe a sociedade, porque ao longo da História o homem organizou sua vida em grupo.
Cabe às Ciências Sociais pesquisar e estudar o comportamento social humano e suas várias formas de organização. Assim, podemos dizer que as Ciências Sociais são o estudo sistemático do comportamento social do homem. Portanto, o objeto de estudo das Ciências Sociais é o compartilhamento social humano Com o avanço do conhecimento, tornou-se necessária uma divisão das Ciências Sociais e diversas disciplinas, para facilitar a
sistematização do estudo e das pesquisas.

ESSA DIVISÃO ABRANGE AS SEGUINTES DISCIPLINAS:






 SOCIOLOGIA - estuda as relações e as formas de associação, considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade: a Sociologia abrange, portanto, o estudo dos grupos da divisão da sociedade em camadas, da mobilidade social, dos processos de cooperação, competição e conflito na sociedade etc.;



Economia - estuda as atividades humanas ligadas à produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços: são fenômenos estudados pela Economia a distribuição da renda num país, a política salarial, a produtividade de uma empresa etc.;

Antropologia - estuda e pesquisa as semelhanças e diferenças culturais entre os vários agrupamentos humanos, assim como origem e a evolução das culturas Atualmente, tem-se preocupado não só com cultura dos povos pré-letrados, como também com a diversidade cultural existente nas sociedades industriais; são objeto de estudo da Antropologia os tipos de organização familiar, as religiões, a magia, os ritos de iniciação dos jovens, o casamento etc.;


 Ciência Política - Estuda a distribuição de poder na sociedade, bem como a formação e o desenvolvimento das diversas formas de governo; é a Ciência Politica que estuda, por exemplo, os partidos políticos, mecanismos eleitorais etc. Não existe uma divisão nítida entre essas disciplinas. Embora cada uma se ocupe preferencialmente de um aspecto da realidade social, elas complementam umas às outras e atuam frequentemente juntas para explicar os complexos fenômenos da vida em sociedade.


O objetivo das Ciências Sociais é aumentar o Max impossível o conhecimento sobre o homem e a sociedade, através de Investigação cientifica. As Ciências Sociais cumprem, portanto, um papel fundamental num mundo de mudanças e agitações sociais. Elas nos permitem entender melhor a sociedade em que vivemos e compreender os fatos processos sociais que nos rodeiam.

2.    Pequena história das Ciências Sociais

Durante milhares de anos os homens vêm refletindo sobre os grupos e as sociedades em que vivem, procurando compreende-los.
As primeiras tentativas de compreender
as forças sociais não tiveram êxito. Tais tentativas baseavam-se mais na imaginação, na fantasia, na especulação, do que na investigação cientifica dos fenômenos. Recorriam, por exemplo, a deuses e heróis para explicar certos fenômenos sociais. Assim, para os gregos, Zeus, senhor dos homens e dos deuses, era deus Justiceiro, que mantinha a ordem no mundo moral e físico. Hera, esposa de Zeus, protegia o casamento e era a divindade tutelar da vida familiar. Ainda na Antiguidade, durante a Idade Média e até o início da Idade Moderna, as tentativas de explicação da sociedade foram muito influenciadas pela filosofia e pela religião, as quais propunham normas para melhorar a sociedade de acordo com seus princípios.
Essas primeiras tentativas de estudo sistemático sobre a sociedade humana começaram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.C.), em seu livro República, e Aristóteles (384-322 a. C.), com Política. É de Aristóteles a afirmação de que "o homem nasce para viver em sociedade"

Na Idade Média, os filósofos continuaram a descrever a sociedade em que viviam e a propor normas que o homem vivesse
numa sociedade ideal. Santo Agostinho, Por exemplo, na sua obra A cidade de Deus,
achava que os homens e sua cidade o reinava o pecado. Propunha então normas para se viver numa cidade onde não houvesse pecado.
Obras como essa descreviam a sociedade humana de uma perspectiva religiosa muito acentuada.  Com o Renascimento, começaram a surgir autores que trataram os fenômenos sociais num nível mais realista. Assim, escreveram sobre a sociedade de sua época: Maquiavel, em O príncipe; Tomás Morrus, em Utopia; Tomas Campanella, em Cidade do sol; Francis Bacon, em Nova Atlântida.
           Mais tarde, outras obras importantes, fruto da reflexão sobre a sociedade, deram grande contribuição ao desenvolvimento das
Ciências Sociais. Entre elas, destacam-se O elogio da loucura, de Erasmo & Roterdã, e O Leviatã, de Tomás Hobbes. Já no século XVIII, um avanço importante para a análise mais realista da sociedade foi a contribuição de Giambattista Viço, com
sua obra A nova ciência. Nela, afirma que a sociedade se subordina as leis definidas, que podem ser descobertas pela observação objetiva. "O mundo social é, com toda certeza, obra do homem" foi um conceito totalmente revolucionário para a época. Alguns anos
depois, Jean-Jacques Rousseau reconheceu a decisiva influência da sociedade sobre o indivíduo: em O contraio social, ele afirma que "o homem nasce puro e a sociedade é que o corrompe".
          Contudo, foi no século XIX - com Augusto Comte, Herbert Spencer, Gabriel Tarde e, principalmente Emile Durkheim, Max Weber e KarI Marx – que a investigação dos fenômenos sociais ganhou um caráter verdadeiramente cientifico.

3.    Surge a Sociologia


Augusto Comte

Augusto Comte (1798-1857) é  tradicionalmente considerado pai da sociologia. Foi ele quem pela primeira vez usou essa palavra, em 1839, no seu Curso de Filosofia Positiva.

Mas foi com Emile Durkheim (1858-1917) que a Sociologia passou a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolveu.  Durkheim formulou as primeiras orientações para a Sociologia e demonstrou que os fatos sociais têm características próprias, que os distinguem dos que são estudados pelas outras ciências.
Para ele, a Sociologia è o estudo dos fatos sociais. Um exemplo simples nos ajuda a entender o conceito de fato social, segundo Durkheim: Se um aluno chegasse à escola vestido com roupa de praia, certamente ficaria numa situação muito desconfortável: os colegas ririam dele, o professor lhe daria uma enorme bronca e provavelmente o diretor o mandaria de volta para pôr uma roupa adequada. Existe um modo de vestir, que todos seguem. Isso é estabelecido. Quando ele entrou no grupo, já existe tal norma quando ele sair, a norma provavelmente permanecerá.
            Quer a pessoa goste, quer não, vê-se obrigada a seguir o costume geral. Se não o seguir, sofrerá uma punição. O modo de se vestir é um falo social. São fatos sociais também a língua, o sistema monetário, as religiões, as leis e uma infinidade de outros fenômenos do mesmo tipo.

Para Durkheim, os latos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Embora existam na mente do indivíduo, são exteriores a ele e exercem sobre ele poder coercitivo. Resumindo, podemos dizer que os fatos sociais têm as seguintes características:

Generalidade - o fato social é comum aos membros de um grupo; • Exterioridade - o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;

Coercitividade - os indivíduos vêem-se obrigados a seguir o comportamento estabelecido.

Em virtude dessas características, para Durkheim os fatos sociais podem ser estudados
objetivamente, como "coisa". Como a Biologia e a física estudam os fatos da natureza, a Sociologia pode fazer o mesmo com os fatos sociais. As obras de Durkheim foram importantíssimas para definir os métodos de trabalho dos sociólogos e estabelecer os principaís conceitos da nova ciência. Entre essas obras, destacamos:

A divisão do trabalho social, As regras do método sociológico e o suicídio.

Objetividade e conceitos básicos na Sociologia.

A principal característica da observação cientifica é a objetividade. Assim, por exemplo, dois mais dois é igual a quatro, seja a soma feita por um católico, um muçulmano ou um comunista Entretanto, a Objetividade é mais difícil de conseguirem Ciências Sociais do que nas Ciências Naturais. Os homens, no estudo de si mesmo e da sociedade, podem se deixar influenciar por um conjunto de ideias que  aprenderam, pelas crenças que adotam, pelos que aceitam em Sociologia, a Objetividade é mais difícil de alcançar, mas é impossível.
Como já vimos, o primeiro passo para a compreensão da Sociologia - como de qualquer disciplina cientifica - è o conhecimento de seus conceitos básicos. Eles definem os fenômenos que devem ser estudados c diferenciam a Sociologia das outras ciências sociais, pois cada uma delas tem seu próprio corpo de conceitos. Como ciência, a Sociologia tem um duplo valor: pode aumentar o conhecimento que o homem tem de si mesmo e da sua sociedade e pode contribuir para a solução de problemas que ele enfrenta.

O QUE E FATO SOCIAL?

Antes de procurar saber qual è o método que convém ao  estudo dos fatos sociais, é preciso determinar quais são esses fatos. Se não me submeto às normas da sociedade, se ao vestir-me não levo em conta os costumes seguidos no meu país e na minha
classe, o riso que provoco e o afastamento a que me submeto produzem, embora de forma mais atenuada, os mesmo efeitos de uma pana propriamente dita.

Alias, apesar de indireta, a coação não deixa de ser eficaz. Não sou obrigado a falar a língua de meu país, nem a usar as moedas legais, mas é impossível agir de outro modo. Se tentasse escapar a essa necessidade, minha tentativa seria um completo fracasso. Se for industrial, nada me proibe de utilizar  equipamentos e métodos do século passado: mas se fizer isso, com certeza vou arruinar-me.
Mesmo quando posso liberta-me desobedecer, sempre serei obrigado a lutar contra tais regras. A resistência que elas impõem são uma de sua força, mesmo quando as pessoas conseguem finalmente vencê-las.
           Todos os inovadores, mesmo os bem sucedidos, tiveram de lutar contra oposição desse tipo. Aqui está, portanto, um tipo de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo e dotadas de um poder coercitivo em virtude do qual se impõem como obrigação. Por isso, não poderiam ser confundidos com os fenômenos orgânicos, pois consistem em representações e ação: nem com os fenômenos, psíquicos, pois estes só existem na mente dos indivíduos e devido a ela.
Constituem, portanto, uma espécie nova de fatos, que devem ser qualificados como sociais.

O QUE INTERESSA AOS SOCIÓLOGOS?

Os homens em todo o mundo vivem em grupo. Isto favorece os sociólogos, uma vez que as consequências da vida em grupo são o objeto de estudo da Sociologia. O interesse pelos grupos è o que diferencia os sociólogos dos outros cientistas sociais. Entre outras coisas, os sociólogos querem saber: Por que grupos como a família, a tribo ou a nação sobrevivem através dos tempos até mesmo durante as guerras ou revoluções? Por que um soldado deve lutar e enfrentar a morte, quando poderia esconder-se ou fugir? Por que o homem se casa e assume responsabilidade s de família, quando poderia, com a mesma facilidade, satisfazer seus impulsos sexuais fora do casamento? Será que as pessoas que vivem em fritos pré-letradas isoladas, se comportam diferentemente das que vivem em Nova York, ou num subúrbio paraense?
Os sociólogos interessam-se igualmente pelas causas das mudanças ou da desintegração nos grupos. Por exemplo, querem saber por que alguns casamentos terminam em divórcio. Querem saber por que há um maior número de divórcios em alguns países do que em outros, e por que o número divórcios aumenta ou diminui com o tempo. Querem saber, ainda, se o comportamento das
pessoas se modifica depois de uma mudança do campo para acidade ou da cidade para os subúrbios.
 Finalmente, os sociólogos estudam o relacionamento entre os membros de um grupo e entre os grupos. Qual è o relacionamento entre marido e mulher e entre país e filho nos Estados Unidos de hoje? Assemelha-se esse relacionamento ao da família americana antiga em outros países? Quais as causas do conflito entre negros e brancos no Sul? O trabalho, a industria e o governo nos Estados Unidos estarão relacionados entre si da mesma forma que os similares na Austrália ou na Rússia? Por que alguns grupos da sociedade possuem riqueza e mais prestigio que outros?

Professor Adriano M. de Almeida

Nenhum comentário:

Postar um comentário